segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Once more

De vez em quando penso em ti. Não propositadamente mas sim porque há uma fuga constante entre o meu inconsciente e consciente. O cano rompeu e vens-me à memória numa gota incolor que não consigo parar. Do nada. Durante o dia ou noite, sem marcação prévia.
E é lógico, que nunca te vou dizer que ou o que penso. Que imagens me vêm à cabeça tão irreais e impossíveis mas estupidamente sentidas. Como se elas fossem um pedaço da nossa história... só nunca a vivemos.
E elas inquietam-me. Reviram a alma e arrepiam os pelos dos braços e da nuca. Não são más, pelo contrário, são tão magníficas que me perturbam os sentidos e eu não sei lidar com isso.
A este ponto, abano a cabeça, tento distrair-me mas é em vão. A fuga é maior do que pensava. Procuro panos para garrotes, panelas que segurem as gotas mas é tarde. Resta-me aceitar, vivê-las embora que apenas em pensamento. E isso faz-me sofrer ainda mais. O que será pior? Ter de esquecer e andar para a frente, se tentar esquecer e ter de a reviver... vezes e vezes sem conta. Ser inundada de "porquês?", porque sim? Porque não? E se... E se nada. Não te vou contar o que empurro para o inconsciente e apenas jorra de vez em quando.. Calo e esqueço. Não se conta porque tenho medo de abrir a torneira. Ontem lembrei-me de ti. Hoje já me esqueci. Até quando?

Just believe... another day...


quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Real world


Emburrecemos e ninguém nos diz nada. Alimentam-nos a estupidez, desconectamos-nos de tudo o que aprendemos na escola e na vida e tornamo-nos ridículos.
Telefones, computadores, ipads, iphones, ipod's, incapacidade, inteligência artificial. 
O dia em que iríamos ser comandados por máquinas chegou mais cedo do que esperávamos... e nós, como carneiros perdidos do seu rebanho, rendemo-nos. E agora?
Somos totalmente desprovidos de cérebro. Fazemos lutas para ver quem tem mais amigos no Facebook mesmo que só conheçamos metade. Abrimos as portas de nossa casa a meio mundo e entregamos toda a nossa privacidade numa bandeja de plástico. Deixamos toda uma vida passar ao nosso lado porque estamos demasiado ocupados a olhar para baixo, para os nossos pedaços de tecnologia.
Daqui a uns anos, iremos todos sofrer do pescoço ou até mesmo ser corcundas, não andaremos muito porque somos sedentários e a única coisa que vai mexer pelo constante uso, serão os nossos polegares... porreiro, seremos velhos entrevados mas continuaremos a ser capazes de fazer um: "thumbs up".
Transformamos-nos tanto em tão pouco tempo que perdemos a noção do ridículo. Postamos imagens ou vídeos de animais a serem maltratados, revoltamos-nos em insultos que só dizemos por estarmos atrás de um ecrã, enquanto enxotamos o gato para o chão porque nos tapa o teclado... e postamos um "amén" como se a vida de uma criança com cancro dependesse disso. Se cada vídeo ou foto destas dessem 1 cêntimo que fosse, estaríamos ricos mas como não dá, somos apenas milionários em estupidez.
Com tanta guerra e terrorismo no mundo, ainda encontramos tempo para apelidar de "nojento" o acto de amamentar em público, esquecendo que nojento é exactamente aquilo em que todos os bebés, agora adultos, se tornaram nos dias que correm.
Polémicas à parte, o David Bowie morreu. Todos sabemos mas por alguma razão, continuamos a postar vídeos mesmo não sendo fãs. Confundimos cantores e numa prova de conhecimentos falhados que postamos para o mundo inteiro, dizemos que se perdeu o "moonwalker"... Resta saber se o Michael Jackson também achava que "we can be heroes, just for one day"...
Mas ok, continuem assim... percam oportunidades na vida, lutem por ter a mais recente tecnologia e morram de estupidez... não me peçam é para fazer parte disto... e logo eu, que utilizo a tecnologia apenas para falar mal dela..
Um dia, em que me virem a amamentar em público, que não me digam nada se não quiserem ficar com um telefone ou ipod espetado na cabeça, porque nojento, é terem de explicar aos vossos próprios bebés o quanto contribuímos para regredir a raça.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

(in)capaz

Não faz sentido. A existência nestas 4 paredes sempre tão iguais.. A mesma caneca de café todas as manhãs enquanto contemplo a mesma paisagem de sempre. Passam os outros, os que se resignaram a esta vida. Os que não conhecem melhor do que esta rua triste. Não tenho fome. Sede. Força. Vontade ou alegria. Nem sequer tristeza. Estou apática. E não sei o que é pior... se chorar de manhã à noite, se querer fazê-lo e não conseguir, fazerem-nos rir e sermos incapazes. É tudo um nada imenso que me arrasta para a mesma cadeira de sempre.
A loiça que se acumula na pia. A gota que dança entre os pratos. Junto ao fogão que deixou de funcionar. Tudo morre numa morte lenta que apenas corre para me tentar apanhar mas eu fiquei transparente. Nada nem ninguém me vê mais. Nem eu me reconheço no espelho de luz ténue.
O pijama que fica no corpo por mais horas do que é costume. O cabelo sempre no mesmo penteado desgrenhado. A maquilhagem que ganha pó na prateleira. E a música. Sempre as mesmas músicas tristes que me lembram de momentos melhores que tento a todo o custo voltar e não consigo.
Estou deprimida demais para deprimir. Sou preguiçosa demais para pegar naquela faca e cortar os pulsos. E se a morte é uma consequência de estar vivo, neste momento, estar viva é uma consequência de não estar morta. Apenas isso.
É tempo. De empacotar as memórias. Abrir as caixas e enchê-las do que fui um dia. O que colhi. Acumulei. Ganhei ou comprei. Do que tentei e perdi. É hora de partir. Para onde o sol brilha de uma luz diferente. Uma paisagem colorida onde as pessoas usem um sorriso na cara. É hora de levantar.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

New year's conclusion


Há coisas, que só percebemos ou vemos, quando estamos longe demais...

sábado, 31 de outubro de 2015

And

... Não entendo as conversas que temos entre diálogos. Quem pensas que sou, ou o que represento, e acima de tudo, quem representas ser na minha vida.
Pudesse eu fechar os olhos e voltar atrás. Não àquele dia mas anos antes. Quando sem querer, te magoei intencionalmente. Quando rasguei em mil pedaços de raiva, a mais bonita recordação do que criamos. Se calhar a culpa foi minha. Se calhar foi tua, quando percebeste tarde demais, que quem tinhas ao teu lado, era uma mulher de carne e osso e não " 1 amigO".. E que vale a pena? Será que te lembras de tudo o que fomos? De todas as conversas? De todas as vezes que te amparei as lágrimas e tu a mim? Das gargalhadas que partilhamos entre 1 beijo de cumplicidade. Não de dois amantes mas de duas almas que de tão unidas, seria sempre impossível unirem-se de outra forma que não a amizade.
E tu falas. Como se o tempo nunca tivesse passado. Como se a dor nunca tivesse sido sentida. E eu respondo. A alguém que não conheço mais. E não sei o que te dizer... Não fui eu que desapareci. Não fui eu que mudei todo o curso da minha vida. Sou a mesma pessoa que era antes. E depois de ti, foi quase humanamente impossível, voltar a confiar em alguém. Mas consegui.
Não imagino como foi possível fugir. Esquecer. Rasgar, queimar ou guardar, todas as cartas que escrevi ao longo dos anos... será que quando as viste, te arrependeste?
E desculpa o silêncio. Não consigo entender como comunicar com quem não vejo fazem anos. Como comentar uma história da qual desconheço o enredo. A tua história não é mais a nossa. E recentemente, aprendi a separar a minha também. Instinto de sobrevivência. Sabes, sempre achei que se erramos, não podemos culpar mais ninguém no mundo, a não ser nós próprios. O problema é quando os outros erram e só restamos nós para levar com as culpas.
Incrível como uma mera acção nossa, pode de facto mudar todo o rumo de outra vida alheia. Sou a mesma pessoa que fui. Mas não para ti. Não consigo, por muito que tente. Fecho os olhos com mais força ainda mas tudo o que leio de ti soa-me a estranho e impossível.
Sempre nos disseram que dois amigos de sexo oposto, nunca poderiam ser amigos... pensamos ter superado essa batalha mas afinal no fim, perdemos a guerra e eu não te reconheço mais.
Pudesse eu voltar atrás... Se eu ao menos soubesse como evitar o destino... E no entanto, sei que não mudarias nada porque o tempo te fez perder umas coisas mas ganhar outras bem melhores. Que sejas feliz meu amigo, it's time to move on for good.

domingo, 18 de outubro de 2015

Sair acompanhada e voltar só


Existem batalhas não apenas na televisão ou noutros países. Existem em nós. Na nossa vida. Dentro da nossa cabeça e igualmente difíceis de ver um fim à vista.
Viver fora do nosso casulo, apenas aumenta o número de lutas. A diferença de culturas. De opiniões. De comportamentos e atitudes. De pessoas...
Em casa, uma saída com amigos é sinónimo de alegria, de festa. Conversas longe de ter um fim. Aqui, chega-se a casa a horas de começar a festa e a barreira linguística, é para mim a mais difícil de transpor.
Como conviver sem falar?
Como conversar envolta em erros gramaticais?
Convidam-se amigos. Aqueles que são a alma da festa e nos ajudam a ultrapassar a linguagem. E vem outra batalha. A que surge quando fico sentada numa mesa rodeada de amendoins e cerveja, a vê-los ao longe a dançar e a rir. Isto nunca aconteceria no meu país. Mas eu estou cá fora... 2 goles na cerveja e 1 amendoim depois, danço com eles e penso o que dizer sobre o que estão a dizer. É tarde demais. Quando formo uma frase já eles estão um parágrafo à frente.
Desculpo-me e sigo para o quarto de banho. Só me apetece bater com a cabeça na parede, desejando ter os meus amigos de casa aqui, para juntos, fazermos a festa. Mas não estão e eventualmente as miúdas que estavam na fila, batem na porta. Saio e volto à mesa. Mais uns goles na cerveja, mais amendoins. Perguntam-me se estou bem. Minto e digo que me estou a divertir bastante. E eles acreditam. Soubessem eles...
Há batalhas assim, às quais nunca se vai a tempo de as ganhar e esta, está mais que perdida.
Desisto. Volto a casa e vejo-me sozinha, rodeada pelo nada. Ao menos este silêncio não é constrangedor ao ponto de saber o que quero dizer mas sem saber como o fazer.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Vielen Dank

Mesmo estando mais nervosa do que nunca, o meu médico a dizer que estava tão nervoso como eu e sabendo que ia parar de respirar para alguém respirar por mim, digo e repito, valeu bem a pena. Agora é recuperar, das dores, do cansaço, dos comprimidos e amanhã ver os resultados e bater ao meu médico por gozar comigo até eu fechar os olhos. Ele não sabe mas eu confio nele a 100%. Acordada ou a dormir. Obrigada. Não há palavras que cheguem para agradecer.

So wie du bist...


E assim...



Vamos fazer de conta que não sei quantos dias passaram. Quantas horas de silêncio morto pelo badalar dos sinos lá fora. Vamos fazer de conta que isto nunca aconteceu. Nunca nos conhecemos logo, nunca nos separamos. Nunca falamos portanto não temos de calar.
Vamos fazer de conta que não existes. Que eu não existo no teu mundo. E que no meu, não há lugar para quem nunca esteve nele.
Afinal, não foram difíceis os dias sem ti. Foram os momentos. Não é difícil lembrar-me de ti. Não é fácil esquecer. Chamo o teu nome a quem não o conhece ou a quem não o merece. Rio-me em mil gargalhadas como se estivesse a falar contigo para logo me conter quando reparo que não és tu.
A minha luta diária continua a ser defender-me de pessoas como tu. Que abalam o meu mundo e depois desaparecem envoltos em nevoeiro denso. E eu continuo aqui. Sem entender se tudo foi uma ilusão.
Já ninguém fala em ti. Por respeito a mim. Calam quando entro. Comentam quando saio. Como se fosses um fantasma que me persegue dentro e fora das minhas 4 paredes. E eu questiono: Alguma vez exististe realmente?
Não os posso ver mas é claro como água. Aos olhos deles, sou a má da fita que traiu tudo e todos. A que te fez desaparecer por se meter com quem não devia. Desculpa, que mal te fiz para merecer um papel do qual não tenho proveito? Que mal fiz eu, para ter um papel que nunca pedi para ter?
Por isso, faço de conta. Que perdi a conta aos dias que não te falo. Que na minha vida, o teu nome nunca me disse nada. E no entanto, eles não sabem mas eu sei e tu também... que tudo isto não passa de uma mentira.