domingo, 23 de novembro de 2008

Quando me sair o euromilhões...


Todos se riem quando eu digo que o meu sonho era viver numa aldeia ou cidade pequena... Todos acham que eu me iria fartar num instante da solidão, do não se passar nada, da falta de confusão que há nas grandes cidades... Como todos estão enganados... Em 27 anos, passei a vida entre campo, praia e cidade e confesso que os melhores anos foram passados fora desta cidade grande... longe da poluição, do barulho, do stress, do lufa-lufa, das inimizades, dos interesses dos outros, da malícia de muitos, dos falsos sentimentos, das horas que passam a voar... ah, trocava isto tudo por um pouquinho de ar puro, de barulho dos animais, de paz e calma, das pessoas humildes e sinceras, amizades que duram uma vida ou acabam a tiro de caçadeira (lol), uma casinha num terreno pequeno, 1/2 dúzia de animais, couves e afins, rodeada de eucaliptos e pinheiros... era feliz sim! Não me interessa o que possam dizer... vivia muito bem sem os pequenos confortos materiais mas que nos retiram o instinto de sobrevivência e que nos separam da natureza... Queria poder abrir a janela de manhã e ver os montes até perder de vista, em vez das habituais casas citadinas, cheiro a gasolina queimada e buzinões, que nos tiram a vontade de sair da cama... queria chegar a casa e deitar-me sobre uma janela onde visse as poucas luzes das cidades pequenas, ao longe... No inverno faria jantaradas para os amigos ou sentava-me à frente da lareira com um copo de vinho, a ler um livro, em vez de ver tv cheia de spots publicitários que duram 1/2 hora no intervalo dos filmes...
Aqui em minha casa, tenho um pinheiro (famoso por sinal, tal é a quantidade de fotos aéreas que tiram a esta zona e onde ele surge majestosamente), que será a única coisa que me lembra o campo e aumenta o meu desejo de ir para essas bandas, mas claro, estamos na cidade, um sítio onde as pessoas gostam de arranjar problemas por tudo e por nada e como tal, vai ter de se cortar... só porque infelizmente tapa o sol no inverno, ou porque caem pinhas nos quintais, ou porque faz lixo ou só por existir... Raio da velha vizinha que o tempo e a idade não trouxe sabedoria, que ignora a beleza da árvore e a sua raridade na cidade... E isto tudo para quê? Para ter 1 pouquinho de sol para os seus arbustos verdes, velhos e feios como ela, num quintal onde ela nunca está! Para abrir a janela de casa pela manhã e ver os prédios que entretanto cresceram atrás dele...
É... gostava de ter uma casinha no campo e quando acabasse de escrever este texto, puder aquecer-me numa lareira nela e não aqui, a rir-me da tristeza desta gente e do cinzento que aqui abunda...
Um dia... quando for grande... terei uma e serei feliz... sozinha ou acompanhada... do materialismo levo apenas o carro... para poder ir trabalhar ou vir à cidade visitar os amigos que aqui deixo.. para rapidamente voltar ao meu mundo simples, longe de todo o mal e perto da minha felicidade*****

1 comentário:

Clara B disse...

Lindo post. Gostava de ter uma casinha dessas, longe de tudo e de todos. Como percebo!
Beijos