domingo, 8 de outubro de 2017

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Nicht mehr und nicht weniger

De Julho directamente a Setembro. Um mês pelo meio, repleto de nada. Nada aconteceu... que mereça a pena de ser contado. Nada de novo, nem de velho. Nada melhor nem pior. Apenas nada. 
Os dias continuam a passar. Os horários trocados que me matam aos bocadinhos e trocam as voltas. De mim mesma e dos outros. E o mundo devia ser mais do que isto. Do que acordar de madrugada para voltar tarde. Demais. Do que voltar a uma casa onde só a gata me espera... nem sempre pelas razões que quero acreditar. E quando reparo, é hora de ir dormir porque no dia seguinte há mais do mesmo.
Farta. Mas ninguém quer saber. Nem eu pelos vistos. Senão revoltava-me. Pegava no telefone e ligava aos amigos. Tomava uns copos. Esquecia-me da rotina por umas horas e voltava a casa com a sensação de dever cumprido. Ou não... Faz muito tempo que a vida é mais do que isto. Ou pelo menos deveria. Já não tenho paciência para conversas de circunstância, interrompidas por uma selfie ou mensagem no telemóvel, com pessoas que lutam para evitar aquilo que mais procuro... evolução. 
E por isso mesmo, mantenho-me aqui. Sempre sonhadora mas à espera de um momento certo para ser correctamente incorrecta. De abrir a boca e mudar o mundo. O meu. Já tem data e o relógio não pára... é o verdadeiro "ou vai ou racha" porque se for para continuar assim, mais vale desistir. E eu, não quero mudar nada nem ninguém, apenas não quero ficar igual aos demais.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Caos

Saio sempre naquela paragem. Sozinha no meio de uma multidão de pessoas que não notam a minha presença. Depois de meia hora sentada num lugar cansado do peso de todos os outros e eu cansada de tudo à minha volta. Um banco sujo que já ninguem quer lavar. Lá fora, pela janela, vejo o sol que me sabe a cinzento. Faz muito tempo que já não vejo a cores. Nem no céu nem nas pessoas. Nem nas cores nem na cidade. Dizem que nasci aqui e no entanto eu questiono a mim mesma, porque é que me sinto tão estranha a ela?
E a dúvida não me larga... se é minha, porque é que não conheço as ruas? As mesmas onde me perdia sem me perder e que agora nem vontade dá de lá ir? Porque é que não vejo as mesmas lojas ou cafés que costumava ir? Porque é que se tornou mais dificil encontrar um tripeiro do que um estrangeiro? Onde pára a senhora que de porta em porta, vendia bolachas ou peixe, dependendo da estação do ano? Onde vivem agora as minhas vizinhas que de tanta curiosidade, se escondiam atrás das cortinas? Quem são estes vizinhos que nem bom dia me dizem? Onde pára o dono da mercearia da esquina que envolto em mentiras compulsivas, brincava que a crise não existia.. Soubesse ele... que tinha mais razão do que pensava... a crise de dinheiro não existe... ele anda por aí... em bolsos alheios, errados... só não nos nossos... mas a crise de valores? Essa veio para ficar... crise de valores. De educação. De boa vontade. De humildade. De honestidade. De alguém que ainda não tenha desistido de ensinar esses mesmos valores aos outros. Deixaram de comprar na mercearia porque as couves eram do campo e vinham com bicho enquanto as do supermercado embora mais caras, vinham carregadas de químicos que matavam qualquer bicho...nós incluídos. Deixaram de comprar as bolachas caseiras e o peixe porque a senhora não seguia as regras da ASAE mas as de pacote industrial e o peixe recongelado vezes e vezes sem conta, sim. As pessoas deixaram de escrever ou falar umas com as outras quando descobriram que o podiam fazer por redes sociais. E quando descobriram que podiam publicar fotos, começaram a odiar-se e a competir por quem tinha a melhor selfie. Os revoltados que levaram porrada a vida toda por serem mal educados, foram pais. Criaram os filhos a serem a semelhança da sua imagem e esses, tiveram filhos com metade da idade sem saberem que eles não eram bonecos mas sim humanos inocentes. Quem os ensina? Quem toma conta deles? O estado. Os contribuintes. E os bancos? Continuam sujos porque a mulher da limpeza ganha mais em casa com os abonos e RSI's do que a cansar as unhas de gel. E os que trabalham? Como eu e milhares? A descontarem para uma reforma que nunca vai chegar porque está a servir de mesada de algum outro que os está a coçar enquanto bebe mais uma cerveja. E o empregado pergunta: Vai mais uma? Claro que sim... não é o senhor que a paga mas alguém o vai fazer... 
E eu saio naquela mesma paragem de sempre. É dia da semana e a multidão está a ir para a praia... eles trabalham para o bronze e eu para lhes pagar o creme protector. Vou ali lidar com quem faz dos restantes um tapete onde limpam os pés e no final deitam fora porque está velho e sujo e já volto. Daqui a nove horas. Quando já estiver cansada o suficiente para que só queira a cama. "Mas ganhas bem"- dizem-me... Ganha a conta bancária e perco a saúde... será que vale a pena? Vou ser rica num corpo que se arrasta? Pior, vou ser rica quando for velha e não tiver feito nada na vida porque não tive tempo... É isto? A vida tem de ser muito mais do que isto.
"Estás tão má"- dizem... não... má era se não me controlasse e andasse por aí de G3 aos tiros sobre tudo o que me irrita... mas aí, era ser igual a muitos outros.. e eu, para o bem ou mal, sou do contra. 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

domingo, 14 de maio de 2017

Pensamento da noite


Hoje vi um homem chorar. Como menino grande ou homem pequenino. As lágrimas correram por fim e eu sorri. Afinal de contas, um homem também chora e isso tornou-me mais feliz. Mais certa que não é imune às emoções. E confiante de que daqui para a frente as coisas vão ser melhores... Sei que um homem não gosta de chorar. Mas Homem com "H" grande também o faz... e hoje foi a tua vez. 
Disse-lhe: "Não chores assim que ainda vão pensar que estás triste por o Benfica ter ganho" mas sei no fundo de mim que aquelas lágrimas eram genuínas.. Por ti, por mim, pelos outros, por nós e pela vida. E por isso mesmo, adoro-te!

terça-feira, 9 de maio de 2017

Old story...New beginnings.

Não me conheceste. Quando era miúda. Quando cresci e deixei de brincar com bonecas para brincar a coisas de rapazes com o meu irmão. Quando vivi as primeiras aventuras ou quando corria pelos campos da quinta com as minhas botas vermelhas, apanhando flores e fantasiando conversas com os insectos. Nem poderias acreditar agora, que houve um dia em que não tinha medo das abelhas, das joaninhas, e demais bichos. Não estavas lá quando caí daquela maldita rocha e fiquei com medo de alturas. Não estavas lá nas escolas para me proteger dos maus e das maldades dos outros. Não estavas lá para evitar o meu primeiro desgosto de amor ou para impedir que o repetisse vezes e vezes sem conta. Também não me lembro de ti a agarrar os meus cabelos na primeira bebedeira.. Não estavas presente porque não me conhecias. Acho que ainda hoje não o conheces. Não te culpo. Não te julgo. Eu explico-te. Sou apenas uma mulher que ainda outro dia era assim... pequenina, aventureira e que gostava mais de construir carros de rolamentos com o irmão do que brincar com bonecas. Gostava mais de jogar futebol do que saltar à corda. E isso valeu-me muitas fugas às freiras que tomavam conta de mim no colégio. Sempre fui mais "Maria-rapaz" do que uma "Barbie" e nunca gostei delas, honestamente. Se me vires de saltos altos e maquilhagem de guerra, acredita que é apenas pela piada que acho, em me transformar em algo tão diferente do meu ser. E na tua cabeça paira a dúvida: "Mas quem és tu afinal?"... Digo-te que sempre me conheci muito bem, só não sei como me encaixar no mundo e por isso sinto muitas vezes (mais do que gostaria), que não pertenço aqui, No meu mundo, não há lugar para nada disto... nem para traições nem para lágrimas. Nem para dúvidas ou arrependimentos. Não há lugar para maldade nem vinganças. Nem eu vejo ou consigo ser, má... O mundo que habito, é diferente do teu, Tentei trazer-te para ele para que não sofresses mais. Para que compreendesses que de todos os seres que vais encontrar, nenhum será bem exactamente como eu... Ninguém possivelmente te vai agarrar a mão e fechar os olhos a tudo o que acontece em ti ou na tua vida.. Isto não é achar-me melhor que os outros, é apenas saber que as pessoas vivem de uma coisa contrária à minha essência: Aproveitamento próprio e egoísmo... E eu pensava que te conhecia... Sempre tão calado, meigo mas carente ao mesmo tempo. Tão frágil num corpo tão forte. Reservado nos afectos.... esses dás apenas para os que conheces bem... E eu gostava disso... eras tão parecido comigo que não percebi que afinal eras apenas uma projecção do que eu queria ver. Quando falhaste comigo, senti como uma traição... mas afinal a culpa não era tua... era de quem te deu a mão sem te conhecer ainda bem... a culpa foi minha... talvez por não me conheceres. Por temeres que eu fosse como a maioria das pessoas que foste conhecendo... Alguém que se aproveita do que tens e dás e que foge quando já não interessas... mas eu não sou assim. E como tal, o que sinto agora é também diferente do que possas imaginar. Voltou a mim a menina rapaz que fui um dia... a que não tem medo de arregaçar as mangas e sujar as mãos para bater em alguém quando se sente ameaçada. A que dá murros como um rapaz e não puxa cabelos como as meninas. A que atira pedras e dá pontapés para se defender.... mesmo que seja contra ti... 
Lá fora a chuva cai sem parar e tu não estás aqui. Alguma vez estiveste realmente? Alguma vez pegaste na minha mão de forma tranquila? Alguma vez me conheceste ao pormenor? Eu sei bem quem sou. Só não sei o que sentir. Hoje, sinto apenas que nunca te conheci.

domingo, 7 de maio de 2017

Dia da mãe

Acredito que todos nós temos várias profissões. Eu sou a namorada. A mulher. A trabalhadora. A irmã. A filha. A tia. A amiga... podia ter mais... mas como aquele emprego de sonho que todos gostávamos de ter, este é mais difícil...
Dizem que hoje é dia da mãe. Mentira, hoje é só mais um dia consumista que nos faz abrir os cordões à bolsa para comprarmos algo a quem nos deu a vida e assim talvez as fazer esquecer ou perdoar os restantes dias do ano em que não lhe demos a devida atenção... Eu não consigo... desde pequena que gosto de agradar a minha mãe... a minha avó... quem me tornou em quem sou. Nunca foi só pelo dia. Mas pelos dias. Pelos anos. Pelos momentos. Pelos constantes conselhos e ajudas. Pelas gargalhadas e choros partilhados. Pelo bem e pelo mal. Mas os anos passam. E eu envelheço. Com sonhos de menina por cumprir. E este é um deles. Com 36 anos, este ano foi de todos o mais difícil. Nos restantes dias dos anos, sempre me lembram que a idade aperta... vejo-o nas fotos das amigas que celebram o 2º filho. Sinto-o quando a família me pergunta quando vou ganhar juízo. Sei que não fazem por mal mas será que sabem que não é culpa minha? Engravidar de alguém à toa só para ser mãe é ter juízo? Engravidar e não ter dinheiro para sustentar, é ter juízo? Não. É irresponsabilidade. E não é por isso que não sou mãe também. É por toda a falta de oportunidades na vida. É pela insegurança de um futuro em que não há futuro. E no entretanto os anos vão passando... Em mim, nos outros... de forma diferente... E eu vejo-os em todo o lado... nas ruas, nas fotos, à mesa de jantar hoje à noite... em que de todas as mulheres ali sentadas, eu era a única vazia. A única sem direito a um presente feito na escola. Sem direito a alguém que me chamasse de mamã. Alguém sem uma marca na Terra. E alguém sem histórias para contar. Era a irmã. A filha. A cunhada e a tia. Mas em mim, sempre a mesma sina. Mãe emprestada, seja no emprego ou como tia. Como babysitter de alguma amiga mas nunca a mãe de sangue. 
Dizem que é dia da mãe. É. Como em todos os outros dias. Mas quando chegará o dia em que será também o meu dia?

Yep...X

X+2=?

Um mais um igual a dois. E por vezes, um mais um igual a três. Dos dois veio um terceiro e de repente ficamos um. Eu. Sozinha. Numa cadeira quente e outra vazia. Quem entra em minha casa, sabe que as cadeiras que cá tenho estão todas ocupadas. Uma almofada ali, um cobertor aqui. Uma peça de roupa esquecida na cadeira ali do fundo. A gata a dormir noutra. E eu. Ao computador enquanto fito o cursor a piscar no ecrã. Tudo menos uma cadeira vazia. E no momento em que ela foi ocupada, alguém a tratou de esvaziar. E eu não sei lidar com isso. Tentas preencher esse vazio mas eu não te conheço mais. Quem conheci afinal não era. Quem eras eu nunca soube. Sei agora mas já não sei o que pensar. Por muito que digas que tudo perdura igual a verdade é que nada nunca foi. E eu no meio de uma equação que não pedi para fazer parte. Daquelas que nunca se chega a uma solução. Sempre te disse que tinha péssimas bases de matemática e mesmo assim insistes. Eu sou o "X" que numa equação dava dois quando me somavam com alguém... Eu fui o "X" que alguém tornou em equação: X+2=0 logo, X= -2... e foi isso que me aconteceu. Perdi dois. Fiquei eu. Sem pedir... quando queria mais. Queria o mesmo mas de maneira diferente. Maneira que nunca será. 
Há no ar um misto de felicidade e tristeza. Feliz por ti. Infeliz por um futuro que não vai ser como sonhei. Egoísta? Talvez. O tempo assim me fez e eu pensava que lidavas bem com isso... Por ti tentava ser mais e melhor quando me deste o pior de ti na calada dos momentos. Lutei como nunca por algo em que apenas eu acreditei. Parva? Talvez... a realidade é que chegou um dia em que eu pensei realmente que era possível. Ingénua como uma criança que guardo em mim. 
Fito a cadeira vazia. Eu luto por ela. Por a preencher de volta. Só não sei como. Quando. De que forma. E infelizmente, já não te posso fazer mais promessas... porque agora sei que só eu é que não as quebrei. Por isso mesmo, não me faças perguntas às quais não te sei responder. A matemática nunca foi o meu forte... E aparentemente, o amor também não.