terça-feira, 8 de março de 2011

Folga

É dia de folga. Não de descanso. Hoje em dia já ninguém deixa alguém descansar. Teria de fugir para um lugar incógnito, paradeiro desconhecido, sem horários, sem telemóvel, sem mais nada a não ser uma mochila às costas.
É apenas um dia sem trabalhar. Dizem que é Carnaval mas a mim nada diz... a única máscara que tenho vestida ou para vestir é esta que olho agora ao espelho. Estou alheia ao mundo, envolta em pensamentos que insistem em não sair da minha cabeça. Sim, tudo tem sido melancólico, é o reflexo do que, e de quem me rodeia. Sempre ouvi dizer que "comportamento gera comportamento"... Façam-me rir e eu vou rir mais alto ainda, façam-me chorar e morrerei afogada num lago salgado... e por isso, fecho-me no meu casulo.
Aproveito o dia de folga para trabalhar para os outros, entro no carro e conduzo a minha mãe. Estranho. Faz muito tempo que não me apetecia conduzir... lembra-me os tempos em que estava irada demais para estar parada num sítio e desaparecia do mapa ao volante do meu "puto"... Sinto-me como uma marioneta obedecendo a ordens e respondendo maquinalmente... e nem me perguntem como cheguei ao destino... não me recordo do caminho, apenas de estar a guiar sem ver, a chuva a bater-me no vidro e as luzes dos semáforos sempre verdes. Mas estou com a minha mãe. Sei que com ela não vou chorar, não vou pensar e sim, vou rir e assim, abro o casulo para ela entrar.
Volto a casa. Saio novamente e vou ao lugar de sempre ao som da música que dança no meu corpo. Mas eles voltam. Sempre voltam. Não me deixam esquecer. Que o final está a chegar e que um dia, vou ter de partir com a mochila às costas para o lugar incerto. Mas hoje... bolas... hoje queria apenas uma folga de mim mesma, para mim.

Sem comentários: